25 DE Outubro DE 2018

O Deus do Templo do Povo

 

A criação de um monstro 

 

Jim Jones nasceu no seio de uma família de camponeses humildes no Indiana, em 1931. Desde muito jovem sentiu uma atração pela religião e pela predicação. Em tenra idade, praticava sermões na garagem da sua casa, onde outras crianças acorriam para ouvi-lo.

 

Desenvolveu uma grande preocupação pelos direitos raciais e pelo socialismo. Logo se filiou no Partido Comunista dos Estados Unidos e fundou várias igrejas na sua juventude, como a Community Unity Church ou a Wings of Deliverance em 1955, que depois se converteu no Templo do Povo. Graças à sua firme defesa dos direitos raciais, foi nomeado diretor da Comissão de Direitos Humanos de Indianápolis em 1961. Além disso, recebeu outros prémios, como o “Martin Luther King, Jr., Humanitarian of the Year”, em 1975, ou o “Humanitarian of the Year”,  atribuído pelo Los Angeles Herald em 1976.

 

Durante a sua atividade religiosa, começou a ter problemas com outras igrejas protestantes devido às suas ideias confrontadas e à defesa do comunismo e estalinismo. Além disso, defendera o autoritarismo por diversas ocasiões. Foi por esta altura que a sua atitude pacífica e bondosa começou a desenvolver um gosto pelo poder, ao ponto de ter rejeitado a Bíblia, considerando-se a si mesmo como uma divindade à altura de Jesus Cristo.

 

Por esta altura já tinha um filho biológico com a sua mulher, Madeleine, com quem se casara em 1949, e adotado outras seis crianças de diferentes raças. Chamava à sua família “a família do arco-íris”.

 

 

JONESTOWN, UMA SEITA AMERICANA NA GUIANA

 

Encontrando-se no centro de todas as críticas que o rodeavam, decidiu ir com os seus fiéis para a Califórnia, mais concretamente para a cidade de Ukiah. 140 pessoas seguiram-no até lá, mas esta nova localização impedia-o de captar fiéis para o que já se podia considerar uma seita. Então, Jones tomou a decisão de voltar a mudar a localização da sede, passando por Los Angeles e estabelecendo-se finalmente em São Francisco em 1972. Lá, o Templo do Povo chegou a ser composto por mais de seis mil membros, dos quais praticamente metade eram negros. Chegou inclusivamente a praticar curas espirituais (prática na qual é solicitada a intervenção divina para a cura).

 

Logo começaram a surgir críticas à sua congregação e às suas atividades. Primeiro foi a imprensa, que denunciou práticas abusivas cometidas contra os fiéis. Ainda assim, recebeu o apoio de autoridades importantes como o presidente da Câmara de São Francisco, que afirmava que Jones praticava uma luta extremamente ativa contra o racismo.

 

Quando as críticas se intensificaram, tornou-se insustentável para Jones manter o seu Templo em São Francisco, pelo que decidiu mudá-lo para a Guiana em 1974, uma república recém-independente localizada no norte da América do Sul.

 

900 fiéis seguiram-no até lá, a quem Jones prometera construir um paraíso livre do racismo, do capitalismo financeiro e, sobretudo, das bombas nucleares que e acreditava iriam cair sobre os Estados Unidos, e que viria a chamar-se de Jonestown. Foi aqui que se deu a chamada “tragédia de Jonestown”.

 

Os membros do templo viviam num regime de escravatura e sob um autoritarismo feroz imposto por Jim Jones. Trabalhavam das sete da manhã às seis da tarde, suportando condições de temperatura e humidade extremas. Dia após dia, era-lhes administrada uma dieta muito pobre à base de arroz e legumes. Além disso, tinham de participar no que Jim Jones chamava de “noites brancas”, que eram nada mais nada menos do que simulacros de suicídio coletivo, nos quais os membros recebiam um veneno falso que eram obrigados a tomar pois, se não o fizessem, eram ameaçados com armas de fogo.

 

Toda esta situação não estava à margem do conhecimento dos Estados Unidos, razão pela qual, em 1978, o congressista norte-americano Leo Ryan visitou o templo em 1978. Queria verificar se era verdade o que ouvira sobre as condições de vida existentes e perguntar aos membros se queriam regressar às suas casas.

 

Ao receber a notícia, Jones recusou-se a recebê-lo, embora depois tenha mudado de opinião. Chegou mesmo a preparar-lhe uma festa de boas-vindas. A visita correu cordialmente até que Leo Ryan perguntou a alguns fiéis se queriam regressar aos EUA. Quando vários lhe responderam afirmativamente, a cordialidade transformou-se em belicismo e, finalmente, em tragédia.  Quando, a 18 de novembro de 1978, o congressista decidiu entrar no seu avião com vários fiéis, outros membros do templo abriram fogo, provocando a morte de Ryan e de outras quatro pessoas.

 

Depois do sucedido e sabendo que as forças de segurança entrariam no templo, reuniu todos os seus fiéis e envenenou-os. Foi considerado o maior suicídio coletivo da História. Morreram 913 pessoas no total.

 

O corpo de Jim Jones foi encontrado com um tiro na cabeça. Não se sabe se foi autoinfligido ou provocado por outra pessoa.

 

Se queres saber mais sobre seitas, como a que criou Jim Jones, não percas o especial Crenças Perigosas que o Crime & Investigation emitirá a partir do próximo dia 18 de Novembro a partir das 21h00.

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